Um panorama do agronegócio no Brasil

Gerson Dias9 de julho de 20185min0
Brasil caminha para ser o maior produtor de alimentos do mundo

Logo após a supersafra 2016/2017, que ultrapassou todas as expectativas e chegou a 237 milhões de toneladas de grãos, o Brasil acaba de colher a safra 2017/2018, com números menores, mas muito longe de serem ruins. Responsável por 23,5% do PIB nacional, o agronegócio é, indiscutivelmente, alavanca para a economia brasileira e o país caminha para ser o maior produtor de alimentos do mundo. De acordo com o IBGE, no primeiro trimestre de 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) teve alta de 0,4%, puxado pelo avanço de 1,4% no setor da agropecuária. Segundo especialistas, esses resultados se devem a alguns fatores característicos:

Condições climáticas favoráveis: no Brasil é possível colher duas safras por ano e, dependendo da cultura, até três;
Condições de água: a disponibilidade de água é muito grande em boa parte do país;
Profissionalização do homem do campo: os produtores alcançaram níveis elevados de tecnologia – vale para pesquisas, equipamentos e conhecimento – que permitiram ultrapassar os EUA na produção de soja. A expectativa é que o mesmo aconteça com o milho;
Localização favorável para exportação: o Brasil tem diversas saídas, o que permite chegar ao mercado consumidor externo. Hoje, parte da produção do campo vai para 224 países;
Grande área de cultivo: Hoje são aproximadamente 70 milhões de hectares cultivados, mas há possibilidade de usar outros 40 milhões sem interferir em matas e florestas.
“Estamos evoluindo para novas regiões, como o centro oeste. Isso só é possível graças a tecnologia e às formas mais adequadas e competitivas de cultivo do solo”, conta Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná). Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa para a safra de grãos está em 232,6 milhões de toneladas, um pouco abaixo do recorde anterior, mas acima da média de produção nacional e a segunda maior safra da história.

Greve
Com boas previsões em diversas culturas, o agronegócio brasileiro foi severamente afetado pela recente paralisação dos caminhoneiros e seus desdobramentos. Durante os dias de greve, as perdas foram irreparáveis e a determinação da tabela de frete – acordo proposto pelo governo para acabar com a paralisação- colocou a produção nacional em desvantagem na hora de concorrer com o mercado externo. “A quebra da safra argentina e a briga dos Estados Unidos com a China deixaram o mercado favorável. Mas, infelizmente, com os valores do frete 50% mais altos, perdemos em competitividade”, afirma Turra. Outro ponto de atenção são as dezenas de navios parados nos portos aguardando que a situação se normalize. Boa parte deles está carregada de fertilizantes, insumo fundamental para a próxima safra. A preocupação é que eles não cheguem a tempo para o plantio e, novamente, o agronegócio sofrerá com perdas.

Eleições e o Agronegócio
Apesar dos excelentes números e das condições favoráveis, o agronegócio brasileiro depende, também, dos rumos políticos. “Vivemos um tempo de muita incerteza e com a preocupação de que o agronegócio tenha que pagar a conta da economia em nosso país”, avalia Turra, que chama atenção para a necessidade das reformas tributária e da previdência. É a partir das eleições e dos novos projetos de governo que as coisas devem avançar. “Acredito muito no Brasil. Temos condições de competir, tecnologia avançada e profissionalização no campo. Apesar de tudo que está acontecendo, seguimos otimistas”, finaliza.

Fonte: Calpar

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